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Entrevista:
JAVIER MORO: “A LITERATURA É UM REFLEXO DA VIDA”

Jairo MÁXIMO









MADRI (EUROLATINNEWS) - O escritor e jornalista espanhol Javier Moro colabora com meios de comunicação de vários países. Suas elogiadas novelas são traduzidas para muitos idiomas e editadas nos cinco continentes.

No Brasil, é conhecido por livros que relatam grandes epopeias, como “As montanhas de Buda” (1998); “Paixão Índia” (2006), a história da bailarina espanhola Anita Delgado que se casou com o marajá de Kapurthala, e “Sári vermelho” (2009), a história real da italiana Sônia Ghandi que desafiou a Índia por amor. A obra causou escândalo no país e até se queimaram exemplares do livro e retratos do autor em praças públicas.

Sua mais recente obra é “O Império é você”, um biopic (novela biográfica) da vida do Imperador dom Pedro I do Brasil e IV de Potugal, que em 1808 chegou ao Rio de Janeiro com sua família e, em 1822, transformou a colônia em nação. Portugal era seu país e o Brasil, a sua pátria.





“Dom Pedro I é um grande desconhecido na Espanha, mas a sua história está entrelaçada com a nossa”, revela o escritor. Em Portugal, dom Pedro I é conhecido como o Rei-Soldado ou Rei-Imperador. Enquanto que em ambos lados do oceano Atlântico é conhecido como O Libertador –Libertador do Brasil do domínio português e Libertador de Portugal do governo absolutista.

Com a novela biográfica “O Império é você”, Javier Moro ganhou na Espanha o prestigioso Prêmio Planeta 2011 e, ao mesmo tempo, ásperas críticas no Brasil, durante sua recente visita ao país para lançar sua obra.

“Queria dar vida a esta página da história universal”, explica.

Nesta entrevista exclusiva, concedida em Madri, Javier Rafael Moro Lapierre (Madri, 1955) fala de sua infância, do papel da literatura na sociedade, do Prêmio Planeta, de dom Pedro I e outros temas. Inclusive rebate às críticas que sua novela recebeu no Brasil.

Se você tivesse que enviar um tweet ao Imperador dom Pedro I do Brasil, que também foi, por um breve período, rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, o que escreveria?

- (silêncio) Cuidado com a dívida de Portugal.

...(risos) Está precisando do ouro e das pedras preciosas de sua ex-colônia: Brasil. Ou não?

- (risos) Sim.

Definitivamente o império era ele, começando pelo seu nome de batismo: Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Serafim de Bragança e Bourbon, (Queluz, Portugal, 1798-1834). Além disso, ele tinha “um ditador incrustado entre suas pernas”, como você descreve em “O Império é você”. Logicamente, ele é pai de uma numerosa descendência: 18 filhos reconhecidos.

- (risos) Sim.

E olha que o seu amado pai, o rei dom Juan VI de Portugal (1767-1826), lhe dizia: “A unidade da Pátria. Para isto somos reis”.

- (risos) Sim.

“Viva a independência e a liberdade do Brasil! Laços fora, soldados! A partir deste momento, nossa divisa será: Independência ou morte!”, gritou dom Pedro I para sua tropa, nas margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, no dia 7 de setembro de 1822. Viva o imperador independente; o “Casanova” tropical.

- (risos) Sim. Viva!

Quem é Javier Moro? -Eu? Um autor espanhol que escreve novelas histórias sobre coisas que aconteceram no mundo. Tudo está baseado em histórias reais.

Li na Wikipédia que você já era um viajante quando criança. É assim?

- Sim. Meu pai trabalhava numa empresa aérea e quando éramos pequenos, ele quis nos mostrar o mundo. Anualmente fazíamos uma viagem longa para a África, a Ásia ou as Américas.

Como foi sua infância?

- Maravilhosa. Era una época na qual quase ninguém viajava. E isto, claro, despertou em mim o gosto por viajar. Você acha que a infância é duradoura?

- Sim, sim, sim.

Como foi sua adolescência?

- También foi maravilhosa. Guardo boas recordações daquela época. Fiz o colegial no Liceu Francês de Madri. Lá, um dia, me apresentei a um concurso de verão no qual os candidatos tinham que fazer uma viagem longa, com pouco dinheiro, e depois elaborar um relatório. Se você ganhava o primeiro prêmio, no próximo ano podia realizar outra viagem. Se ganhava pela segunda vez consecutiva, recibia como prêmio uma bolsa de estudo na França.

Minha primeira viagem foi ao Círculo Polar Ártico para conhecer os esquimós. Eu tinha 17 anos. Com o relatório que preparei, ganhei o primeiro prêmio. No ano seguinte, fui ao Amazonas, no Brasil, conhecer a tribo indígena yanomami, e também ganhei o primeiro prêmio e recebi uma bolsa de estudo para cursar história e antropologia na Universidade de Jussieu, em Paris.

Nestas viagens de verão da adolecência, quando eu tinha que fazer uma viagem longa, com pouco dinheiro, e depois elaborar um relatório, é o mesmo que faço neste momento. O que mudou é que agora faço com mais profundidade e em forma de livro. Há pouco tempo me dei conta disto. Entrevisto pessoas, procuro material de arquivo e escrevo a novela. Foi naquele momento que realmente aprendi a ser escritor.

Você considera que a infância, a adolescência, a educação e a formação cultural são determinantes?

-Sim. E deixam suas marcas em nós.

Quando e como encontrou a escrita?

- Nasci no berço de uma família de escritores. Sempre escrevi: artigos de viagens, reportagens, roteiros de cinema, artigos de opinião. Com 35 anos comecei a escrever o meu primeiro livro, “Caminho de Liberdade” (1993), sobre a trajetória do assassinato do sindicalista e ecologista brasileiro Chico Mendes (1944-1988), que se converteu em um símbolo internacional da defesa do meio ambiente.

Qual é o papel da literatura na sociedade?

- Fundamental. Os homens necessitam se ver refletidos na literatura porque ela é um reflexo da vida. Uma maneira de, pelas mentiras, se contar a verdade da vida. É uma coisa curiosa.

Você tem pânico diante de uma folha em branco?

– Não. Para mim escrever é a última parte do processo. Antes tenho que me documentar e saber o que quero escrever.

A escritura lhe exige tempo e solidão?

– Entrega total. Solidão absoluta.

Ouvi você dizer na Gran Vía madrilenha: ”Sou miss Planeta”. Ouvi ben?

- (risos) Sim. O meu reinado dura até que concedam o próximo Prêmio Planeta. Estou na moda: entrevistas, palestras, viagens, tardes de autógrafo etc. Não paro nem um minuto. Es difícil viver assim. É isso o que eu denomino ser “miss Planeta”. Você está feliz com este título?

– Muito. O bom dos prêmios é que geram novos leitores.

Qual é o sabor do Prêmio Planeta que você ganhou com “O Império é você”?

– (risos) Um sabor delicioso.

(risos) Esta resposta pode ter duplo sentido. O Planeta é o segundo maior prêmio literário do mundo, economicamente falando, depois do Prêmio Nobel. Exatos 601 mil euros, ou seja, aproximadamente R$ 1,5 milhão! (risos)

- Mas é por isso eu te digo: delicioso...

O Prêmio Planeta se ganha ou se encomenda?

– (silêncio) Eu não me apresentei ao prêmio Planeta. Foi a minha editora espanhola, Seix Barral, quem apresentou a novela, com o meu consentimento. Se existe encomenda, eu não sei. Existem denúncias de que uma ou outra edição foi uma encomenda. É posível que algumas vezes eles encomendem. Para mim ninguém me encomendou nada, ok?

Como nasceu o “O Império é você”?

– Estava procurando uma história que estivesse relacionada com o Brasil. Queria retornar ao país e escrever a história do espanhol Luis Galvez Rodríguez de Arias (1864-1935), também conhecido como o Imperador do Amazonas. Mas, um amigo meu brasileiro, escritor e roteirista de cinema, disse-me que existia uma história muito mais interessante que a do Luis Galvez, que era a história de dom Pedro I. Disse-lhe que dom Pedro I um tema regionalista e que a sua história estava mais do que escrita. Contudo, ele insistiu e afirmou que havia muitos livros de história e, principalmente, muitos livros ruins que abordam somente suas façanhas sexuales. Não existe um livro que conte a épica. Aceitei sua sugestão. Li tudo o que escreveram sobre dom Pedro I. Cada vez que lia, e quanto mais lia, descobria que era um tesouro não aproveitado. Passei três anos investigando a história de dom Pedro I.

Onde você encontrou a documentação para escrever esta novela?

- Principalmente na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, porque está tudo lá. O rei de Portugal, dom João VI, em 1808, levou para o Brasil 60 mil libros da Biblioteca de Ajuda, de Lisboa. Também encontrei muita documentação no Palácio Nacional de Queluz (Portugal); na Biblioteca de Ajuda (Portugal); na biblioteca particular do meu amigo brasileiro Pedro Corrêa do Lago, que me colocou à disposição arquivos completos que continham cartas inéditas de dom Pedro I; na biblioteca do Museu da Imagem e do Som, em São Paulo; em sebos franceses, portugueses e brasileiros e, em particular, na livraria Rio Antigo, no Rio de Janeiro, onde comprei muitos livros e os enviei por navio para a Espanha. O meu interesse não era descobrir mais coisas sobre dom Pedro I, sob um ponto de vista unicamente de um historiador para historiadores. Queria dar vida a esta página da história universal. Contá-la como uma novela histórica. Tinha que criar os diálogos como quem faz uma adaptação para TV de uma história real. Um biopic. Nunca quis fazer um livro de história sobre dom Pedro I. Por isso, constatar que alguns historiadores, escritores e jornalistas brasileiros julgam este livro como um livro de história é surpreendente.

Estão enganados?

- Sim, porque eles tampouco têm a chave da verdade histórica. Quando a jornalista e escritora brasileira Iza Salles, que escreveu um libro sobre dom Pedro I, disse-me que o meu livro estava cheio de erros históricos, fiquei pasmo. Disse-lhe que isto era uma difamação. Quis saber quais eram os erros para entender sua crítica. E ela me disse que quando falo da importância na vida do Imperador, do seu primeiro amor, a dançarina francesa Noémi Thierry, não é verdade, porque não existe documentos que demonstrem isso. Eu respondi à ela: Um momento. Você está falando como historiadora, e se você não encotrou documentação, este é um problema seu. Como escritor lhe afirmo que esta dançarina marcou a vida de dom Pedro I.

Sabemos que ele guardou durante 20 anos o feto embalsamado da filha que teve com Noémi. Alucinante! -Não se pode dizer que Noémi não marcou a vida de dom Pedro I. Se não existiu um relacionamento direto entre eles, com certeza existiu uma relação mental muito forte. A história não é a única maneira de se aproximar da verdade. A literatura também permite. No Brasil não estão acostumados a isso. Pensam que sou um estrangeiro que quer comer alguma hortaliça da sua horta. A estúpida frase que o jornalista e escritor brasileiro Laurentino Gomes disse de que o meu livro “é um exemplo do neocolonialismo cultural da Espanha com Brasil”, é uma grande estupidez.

Um lapso?

- Não! Estupidez. É como pretender que eu, como espanhol, não possa escrever sobre a história do Brasil. Que absurdo! Os melhores historiadores espanhóis são ingleses e franceses, e a vida continua. Realmente existe um nacionalismo negativo no Brasil, assim como na Índia. Meu livro está sendo vítima desta estupidez. Entretanto, o livro agrada as pessoas e além disso ele tem a sua própria força. Recebo muitas mensagens positivas de leitores brasileiros.

Onde você encontrou as frases que estão –entre aspas e em letra cursiva- que aparecem no livro?

– Das cartas originais de Maria Leopoldina de Áustria (1797-1826), a imperatriz consorte do Brasil, também conhecida como “a paladina da independência”, interpretadas por mim. Fiz o livro mais próximo da verdade, com a documentação que existe.

Considera que o dom João VI, sogro da Leopoldina, foi um rei iluminado ao decidir levar sua corte a colônia Brasil? – Não sei. O que sei é que foi muito mais experto do que a história conta. Influenciável, tonto, bobo... Ele tomou uma decisão que mudou o mundo. Sintetizando, foi um homem inteligente e valente.

O que pensa das palavras do rei espanhol Juan Carlos: “Sinto muito, errei e não voltará acontecer”, ao ser descoberto recentemente caçando elefantes em Botsuana, na África?

– Estas palavras me deram vergonha allheia. Os reis vão caçar! É o mundo deles. É alí onde contatam com as pessoas que, quem sabe, um ministro não consiga. Não considero que isso seja uma coisa que um rei tenha que se desculpar. O rei Juan Carlos é o melhor e mais eficaz diplomata que a Espanha tem. O que acontece é que os reis estão submetidos aos mesmos conflitos que estava submetido dom Pedro I. São gente, querem ser homens livres, mas não podem. Levam o peso da monarquia nos ombros. Então, evidentemente, eles têm que escapar, que se esconder. Não penso que este ato do rei Juan Carlos seja para se escandalizar e se desculpar.

Você gostaria de falar de alguma coisa que não falamos?

– Não. O que eu gostaria é que a crítica que saiu recentemente no Times Literary Suplement, escrita por Gabriel Paquette, um reconhecido brasilianista estadounidense, intitulada “Princely pleasures” [Prazeres Principescos] fosse divulgada no Brasil, para rebater as difamações protagonizadas por alguns historiadores, escritores e jornalistas brasileiros dos quais fui vítima.•



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